“Na vida, eu sempre parti do princípio de que, muita coisa pode dar errado, como pode também dar certo. No entanto, eu só vou saber, se tentar. E nessa de tentar, arquivo todos os tropeços como experiência, e todos os caminhos bonitos como lembranças memoráveis, do que um dia, fez parte de mim.”
“Eu fecharia a porta por não querer corrigir a postura que uso quando escrevo, e para que ninguém me visse chorar se eu perdesse o controle. Eu contaria os meus segredos em pilhas de metáforas, bordaria os meus medos com flores e cobriria os meus demônios com pedras limosas. Confesso que sempre achei lindo retomar o mesmo processo de sempre e ainda parecer imprevisível. Sempre adorei a ideia de escrever, ser alguém que doma as palavras com a mesma sagacidade com que o faz com os sentimentos. No final, eu sorriria, porque apenas eu sabia das coisas que não escrevi - embora tudo estivesse ali disfarçado. Aquele covarde que se escondia atrás de duas palavras de fé; aquele moço triste que jogava papéis picados para o alto e se convencia de que via neve; aquela coisa previsível que perdeu a identidade de menino ou homem, pássaro ou gigante, mas que voltava ao canto para rabiscar o ladrilho gasto com um prego enferrujado. Aí mais uma coisa. As coisas sempre viriam com um adjetivo que as fizessem mortas, fracas ou velhas. Porque as coisas por aqui são assim. Porque eu as deixo trancadas tempo demais, apertadas demais, confusas demais e, sendo domado por aquilo que sinto, acabo por nunca saber quem sou.”
“Alguém me perguntou se eu conhecia você, um milhão de memórias passaram pela minha mente e eu sussurrei: - Não mais.”
“Sempre me gabei de nunca ter sido usuária de nenhuma droga e nem ao mesmo ter experimentado cigarro ou ter dado trabalho com bebedeiras. Sempre fui saudável além da conta. Até que me caiu a ficha de que ele era pior do que cocaína.”